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Autoestima e autocuidado além da estética

A autoestima e o autoconhecimento são essenciais para nos proporcionar uma vida mais equilibrada e focada no eu

No primeiro momento da pandemia do novo coronavírus, os consultórios médicos vivenciaram uma debandada de pacientes, por conta da preocupação das pessoas em evitar saídas desnecessárias e utilizar o isolamento social como uma forma de evitar o contato com o vírus. Apesar de muitos médicos reduzirem também o atendimento presencial, os tratamentos foram mantidos em casa, com recomendações orientadas.
Agora na nova fase da pandemia, as pessoas aprenderam a viver com o vírus e retomaram suas atividades, principalmente as idas aos consultórios médicos. “Percebi um aumento pela procura de procedimentos estéticos, seja porque as pessoas voltaram a ter mais tempo para se cuidarem e também começaram a refletir que a autoimagem não é para os outros e, sim, para a própria pessoa que está se cuidando”, afirma a dermatologista Agnes Nakano.
Dra. Agnes ressalta ainda que a relação das pessoas com a autoestima e autocuidado vai além de estética e é fundamental para a qualidade de vida. “A autoestima e o autoconhecimento são essenciais para nos proporcionar uma vida mais equilibrada e focada no eu, deixando de lado a preocupação com as opiniões de terceiros e como isso influencia nossas vidas e nossa realidade. Quem está fortalecido, e sabe que dificilmente vai se deixar abalar por mudanças ao seu redor, tira aprendizado em cima das dificuldades e, no final, consegue sair de qualquer situação negativa ou delicada ainda mais revigorado”, analisa.
Engana-se quem pensa que autoestima e, principalmente, autoconhecimento são tratados apenas em sessões de terapia, com psicólogos e psicanalistas. Muitos médicos, em consultasde rotina e até em tratamentos estéticos e dermatológicos, estão conseguindo ajudar os pacientes nesse processo de descobrimento do próprio eu.
A prova é que há alguns meses foi divulgado um estudo da Scientific Reports que mostrou a eficácia do uso do botox no combate à depressão. A descoberta se deu por meio do uso da substância em tratamento de enxaqueca. A toxina bloqueia a liberação de neurotransmissores associados com a origem da dor, diminuindo sua frequência e intensidade. Foi lidando com dores de cabeças severas que os pesquisadores descobriram a nova utilidade da substância.
Segundo o estudo, exames de ressonância magnética confirmaram que a toxina tem efeito antidepressivo quando aplicada entre as sobrancelhas. Quando as pessoas são capazes de fazer expressões faciais de raiva, há menos atividade na amígdala, região cerebral associada ao controle da ansiedade e à resposta para o medo. Ou seja, se a pessoa não pode franzir a testa, o cérebro não registra um sentimento negativo. “O estudo é recente, então não indico diretamente para tratamento da depressão, mas percebo que sempre há mudança do humor do paciente para melhor após iniciarem os efeitos do botox. Teoricamente se a gente perde a capacidade de enrugar a testa e fazer a expressão de dor e preocupação, liberamos menos hormônios que desencadeiam esses sintomas depressivos e a longo prazo se torna um aliado no tratamento desse transtorno”, afirma.